domingo, 10 de maio de 2015

POESIA - DRAG QUEEN (SEIVA DE GLAMOUR)



Sobreposição de mulher (fabricada) no corpo de homem
Cílios postiços, salto alto
(altíssimo. Não olhe para trás)
Maquiagem, peruca, vestido e brilho
(muito brilho, pois não será fácil)
Nasce uma majestade coroada de sonhos
(sim, você irá alcançar a força necessária)
Num mar de incertezas certas e náufragos desesperados
(apoie-se em suas próprias mãos e pés, e por que não na Cruz também)
Nova criatura esculpida
(dê o seu melhor utilize linha e agulha: costure sorrisos)
Quebre paredes e muros a cada simples respirar
(lantejoulas, plumas, paetês, unhas coladas e pintadas)
Sob a estrela performática no palco servil
(o mundo se abre em pétalas de rosas de plástico)
Diva enigmática de parcas horas efêmeras
(deusa forjada em árduas lágrimas e batom borrado)
Depois do espetáculo de uma vida,
A diva se desmancha (sai de cena)
Borboleta volta a ser lagarta,
Vaga-lume sem luz é só outro inseto qualquer
No sol negro do cotidiano comum
A rainha dorme seu sono de (viril) feminilidade
(após superar obstáculos diversos do inverso comum)
Num corpo pré-moldado, reutilizado
Respaldo do seu ser em flor de rápidas primaveras,
(soberana graça das noites)
Seu coração pulsa com sangue seiva de glamour.

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