sábado, 28 de março de 2015

POESIA - MÁRTIR - THIAGO LUCARINI





Pés descalços
Pernas feridas
Desfaz-se em pó
Reconstrói-se em alegria
Curvado sobre o fardo da vida
A fé alimenta o fogo divino
A paixão do crédulo verdadeiro
Mãos calejadas, sábias
Terça, quarta parte da salvação
Segue a romaria santa
Mesmo nas montanhas da ignorância
Nas pedras pontiagudas da maldade
No vazio sem crença
Vai aonde precisar ir
Sem importar-se com danos
Ao próprio corpo surrado
A casca substancial do existir
Mesmo ferido, ensanguentado
No rosto o sorriso do calvário
O sacrifício seu dom eterno
O mártir vai à luta pelo o que crê
Para que outros creiam e sejam salvos
Representante humano
Da força de Deus.

POESIA - ARSENAL - THIAGO LUCARINI





Mentiras brilhantes
Sorrisos convincentes
Senhores de aprovação incondicional
Armações perfeitas
Encantos falsos
Reluzo como ouro e diamante
Sou um ladrão do bom-senso
Tenho um arsenal impecável
Uma rede ilusória para tolos
Usarei e abusarei
Depois descarto como um nada
Pobrezinhos acreditam em mim
Não posso culpá-los
Afinal, meu arsenal é infalível
Próxima vítima.

POESIA - LADRÃO - THIAGO LUCARINI





Roubou-me
Mas não foi a mão armada
Levou-me num sorriso faceiro
Nas palavras gentis
Em um corpo quente
Num olhar abrasador.
Violou minhas barreiras
Derrubou meu muro
Baixou as defesas do meu ser
Desativou os alarmes
Eu fiquei rendido
Levou o que queria
Roubou meu coração.

sexta-feira, 27 de março de 2015

POESIA - RESTOS MORTAIS DE NÓS - THIAGO LUCARINI


Eu posso ver você
Dizendo por aí
Que está feliz
Que nada aconteceu
Forjando sorrisos
Sentindo-se tão certa
Empenhada em ser a melhor
Em enganar tolos crédulos na mentira.
Todavia, eu sei! Você sabe!
Que teu sorriso é falso
Que suas lágrimas permanecem
Embaixo da maquiagem de alegria
Que está mais perto do precipício
Do que eu mesmo gostaria
É o fim, e foi você quem assim decidiu
Perdemos tudo o que era nosso
O encanto soprado como poeira.
Claro! Você não se importou
Naquele instante era intocável
Mas a invencibilidade quebrou-se
Agora sou eu quem não se importa mais
Achei meu solo seguro

Muito longe de você.

POESIA - TOQUE-ME - THIAGO LUCARINI


Toque-me
Ardente
Sedento
Voluptuoso
Ponha suas mãos em mim
Sem restrição, baby
Não há nada proibido
Abaixo do celeste vermelho
Ascendente do prazer desejado
Quero sua pele na minha
Sua boca atrevida e sequiosa
A arrancar as seivas do êxtase
Faça-me ter calafrios delirantes
Apenas toque-me
E eu me acenderei volátil
Então faremos um pedaço do céu

Neste inferno diário.

POESIA - KITSUNE - THIAGO LUCARINI


Mística e misteriosa
Feiticeira da vida
Esconde-se nos véus das noites
Nos seios das estrelas
Sábia e astuta
Infalível no que deseja alcançar
Sai da toca em tocaia
E só volta saciada
Sem importar-se com pudores
Rancores e amores
Tornou-se senhora absoluta de si.
Raposa de fogo colorido
Subiu ao céu para repousar

No infinito.

POESIA - PARADA CARDÍACA - THIAGO LUCARINI


Parada cardíaca
Foi assim quando te vi
Deixei de amar coisas banais
Para lhe dedicar todo o meu amor
Entupi minhas veias de alegria
Serotonina pura
Quase explodi este desenfreado coração
Com uma sobrecarga de felicidade exagerada
Parou o coração, mas não morri
Pelo contrário, pela primeira vez
Posso gritar:

— Estou vivo!

POESIA - AS COSTAS - THIAGO LUCARINI


A razão e a loucura
São pontos distintos
Mas não se engane
Estão coladas
De mãos dadas
Uma as costas da outra
Trata-se apenas
De um fio de identificação

Aquilo que as separa.

POESIA - NAUFRÁGIO - THIAGO LUCARINI


O destino é um navio
Ora navegando em águas mansas
Ora navio em pleno naufrágio
Inundado de água fria
Sendo enterrado solenemente
Num túmulo abismal

Muito maior que o próprio navio. 

quinta-feira, 26 de março de 2015

POESIA - UTOPIEIRA - THIAGO LUCARINI


Uma árvore bonita, viçosa
Mas difícil de ser encontrada
Só dá pé lá pras bandas
De dentro do ser, da alma
Gera frutos corriqueiros e vistosos
Quase sempre ilusórios
Todavia, saborosos e tentadores
Alguns poucos são amargos e cruéis
Com gosto de solidão e miséria
Estes podem chegar a intoxicar
E até levar a morte prematura.
Contudo, não tema a utopieira
Ela é segura e sã ou quase isso
Mata apenas um a cada cem.
Queria eu colher do pé
Uma utopia fresquinha por dia
Nesta utopieira que é a vida.


POESIA - MENDICANTE - THIAGO LUCARINI


Meus braços choram o vazio deixado por você
Na minha boca ainda há o sabor amargo
Do teu beijo mesquinho de adeus
Antes fosse o gosto do veneno
A morar nestes lábios lassos
Assim não mais sofreria
Essa agonia de não lhe ter.
Meu corpo implora por ti outra vez
Só aceita as tuas carícias
Porém, temo que ele apenas vá conseguir
Achar consolo na solidão fria.
Aonde foste?
Por favor, suplico, volte
Volte e serei todo e eternamente seu.

quarta-feira, 25 de março de 2015

POESIA - SACRO - THIAGO LUCARINI


Safo, santo, sacro
Salvo a safra da salvação
O sacrilégio foi ao sumidouro
Subsídio existencial
Vela a santidade sacramentada
Dos homens de fé.
A semente banhada
Em sangue remido
Gera frutos vistosos
Consolando o coração sofrido.
O pecado do sistema
Soldado a ignorância
Deve naufragar em sua sarjeta

Assim o sagrado brilhará plenamente.

POESIA - SANGUE FRIO - THIAGO LUCARINI

Coração empedrado
Pele insensível
Corpo inerte
Sangue frio
Azul solidão
Quero um amor
Pra quebrar o gelo


E aquecer esta alma.

terça-feira, 24 de março de 2015

MINICONTO - O PEDIDO - THIAGO LUCARINI


Um homem pediu ao seu melhor amigo que guardasse uma caixa poderosa, cuja qual, não poderia estar mais em seu poder devido circunstâncias diversas, todavia, a única restrição seria que o amigo em hipótese alguma, havendo o que houver, jamais poderia abrir aquela caixa.
O bom amigo, era um homem desprovido de curiosidade guardou a caixa mantendo-a sã e salva e protegida durante toda a sua vida. Entretanto, em seu leito de morte, nos segundos finais de sua existência, pegou a bendita caixa, abriu-a, viu seu conteúdo, sorriu e morreu em paz.
Querido leitor, se acha que lhe contarei o que havia dentro da caixa está muito enganado. Deixo isso a cargo da sua interpretação.

POESIA - A SETE PALMOS DO ABISMO - THIAGO LUCARINI


A noite é escura e fria
Mas não é má
O defeito reside em mim
Nos meus olhos quebrados
O pesadelo da vida
A alma sangra
Eu choro
Um fato engraçado
É que a sete palmos do precipício
O fim já não me assusta
Talvez a queda no abismo
Junte os pedaços
Do que está quebrado

Aqui em cima.