domingo, 1 de julho de 2018

POESIA - ESPÍRITO SEM EXORCISMO - THIAGO LUCARINI

Feito a presença de um fantasma
O teu perfume apareceu no ar
Misterioso, não físico, perigoso
Como toda lembrança que arde
No meio da noite, mas que não ilumina.
Teu perfume veio-me além da distância
Atravessou nortes e mortes não ditas.
Será uma parte tua que ainda me quer
Ou algum espírito sem exorcismo
Que invoquei só pra não te esquecer?

sexta-feira, 29 de junho de 2018

POESIA - LUGAR DE FALA - THIAGO LUCARINI

Já não creio
Naquilo que falo
Em poesia a ser defendida.
Meu lugar de fala
É na mudez
No silêncio da alma
Não há nada mais a ser escrito
A ser dito para ser ouvido,
Pois não acredito
Na definição de nenhum sentido
Nenhuma linha do discurso me válida
Minha palavra é seca e vazia
Desprovida de intenção, de solução
Sem dó as enterrei sem marcação
Só terra limpa sem epitáfio.

terça-feira, 26 de junho de 2018

POESIA - ENFEITES E ILUSÕES - THIAGO LUCARINI

Fui me limpando das ilusões
Jaula diáfana e dourada do eu
Adquirindo um olhar mais cru
Mais preciso para ver além
Das promessas e enfeites
Dispostos para estagnar
Os passos facilmente iludíveis.
Com a vista mais limpa
O caminho não fica mais fácil
Porém a qualidade do andar melhora
Uma vez que cacos tornam-se atos.

sábado, 23 de junho de 2018

POESIA - PELÉ-INDUMENTÁRIA - THIAGO LUCARINI

Pele exposta, marcada.
Comichão de sarna
Abre-se em feridas.
A pele desfaz-se
Feito papel molhado
Sem simbólica poesia.
Não há costura nem sal
Que a remende ou cure,
Deixe-a sã, santa ou bonita,
Pois esta odiosa pele superficial
Não pertence a este corpo
Muito menos a esta vida intrínseca.
Na forja do nascimento vestiram
No boneco de argila animada
A pele-indumentária errada, apertada
E que, hoje, estrangula e trinca
A nobre cerâmica moldada,
Deformando a essência primária.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

POESIA - AFOGO A FOGO - THIAGO LUCARINI

Como respirar
Fora d’água
Se estou acostumado
Ao oxigênio líquido.
O ar rarefeito além do limiar
É seco e desesperador.
Oculto na fluidez, mergulho,
Sou peixe de emoções.
É certo: afogo a fogo,
Só venço quando líquido
E meu degrau da vitória
É um patamar abaixo.

sábado, 16 de junho de 2018

POESIA - ESTRELAS E RUÍNAS - THIAGO LUCARINI

Algumas fundações são base para estrelas
Outras são apenas velhas ruínas em fim.

Qual solo alimenta tuas raízes de jardim?
Em qual chão fundou teus fulcrais alicerces?

Quando a tempestade vier sobre teus sonhos
Será capaz de manter-se valentemente de pé?

E na noite mais escura brilhará feito estrela
Ou será agourenta construção abandonada?

domingo, 10 de junho de 2018

POESIA - DE MIM - THIAGO LUCARINI

Pegue tudo de você 
Que resta em mim 
Espalhe ao vento
E talvez assim
Eu sinta menos 
Sua ausência, negligência.
Dilua-se do meu toque,
Das minhas memórias e afins,
Daí-me merecido descanso e fim.