sábado, 16 de junho de 2018

POESIA - ESTRELAS E RUÍNAS - THIAGO LUCARINI

Algumas fundações são base para estrelas
Outras são apenas velhas ruínas em fim.

Qual solo alimenta tuas raízes de jardim?
Em qual chão fundou teus fulcrais alicerces?

Quando a tempestade vier sobre teus sonhos
Será capaz de manter-se valentemente de pé?

E na noite mais escura brilhará feito estrela
Ou será agourenta construção abandonada?

domingo, 10 de junho de 2018

POESIA - DE MIM - THIAGO LUCARINI

Pegue tudo de você 
Que resta em mim 
Espalhe ao vento
E talvez assim
Eu sinta menos 
Sua ausência, negligência.
Dilua-se do meu toque,
Das minhas memórias e afins,
Daí-me merecido descanso e fim.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

POESIA - CORPOS QUE SANGRAM - THIAGO LUCARINI

Alguns corpos sangram
Países desconhecidos
Terras não pertencidas
Oceanos não navegados
Decadências sem quedas
Estrelas não vistas na noite
Tempo ainda não passado
Amores não correspondidos.
São corpos estranhos estes
Sangram coisas que nunca tiveram,
Mas não se vão à morte,
Pois não vertem alma de verdade
São ilusórios platônicos alucinados
O que não significa ausência de dor.

domingo, 3 de junho de 2018

TAUTOGRAMA - A - THIAGO LUCARINI

Assim assado, assisto acomodado
Assimétricos armados associando
Almas alienadas. Analiso arredio:
Acerto? Aspiração? Absurdo?
Aquém almejo algo além
Amor, amizade, ancoragem, abraços.
Atenção: assimilações arbitrárias
Arruínam auspiciosos amanheceres.   

sábado, 2 de junho de 2018

POESIA - FORA DO ÉDEN - THIAGO LUCARINI

Fui posto fora do Éden
Quando me deixaste.
Tive minha peremptória queda,
Tive a dissociação e dissolução
Desta alma una de amor
E da forma sólida deste coração.

Perdi meu Deus soberano
E percebi que um deus fabricado
Não opera milagres
Apenas produz as vontades
Daquele que o criou
Em sua crença infantil
Sem qualquer simetria.
Este não passando nunca
De um ridículo fósforo-sol,
Farol de míseros segundos
Que não salva do precipício.

Perdi-me de Deus. Vaguei
No sal das lágrimas de prata fria,
Pois demônios-cupins de falsa vulgata
Comeram as raízes de vidro da minha
Árvore da Ciência do Bem e do Mal
Não tive sua sombra nem seu alívio
Nem seu fruto de doce pecado, guardado
Latejante e febril pouco abaixo do umbigo.
Restou-me somente a incitante
Serpente ao meu lado vago
E a sabedoria dos passos solitários.

Ao estar com esta alma longe, tão longe
Da unidade deste ser Todo-Poderoso Amor
Pereço. Padeço. Ando em busca de uma
Nova crença, tentando achar uma ideologia
Própria, mais poderosa e justa, que não fabrique
Cacos, tristes corações quebrados e espalhados.
Talvez assim, abrace-me a onisciente, Verdade.

Agora que me fecharam as portas do Éden
Em último fiasco de vã tentativa eu rolarei
Na lama santa da Parusia onírica da apoteose
Apocalíptica da solidão eterna que se abre
Num ato tão somente dramático e sem anunciação.
Erguem-se as fundações, as barras de ferro desta prisão,
Desta gaiola aberta, porém sem fuga, inferno da carne.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

POESIA - INCOMPETÊNCIA HUMANA - THIAGO LUCARINI

Detesto cair.
Não pelos joelhos ralados
Não pelas mãos feridas
Ou pela dor em eco depois.
Mas pela falha no andar
Pela incapacidade própria
De manter-me absoluto de pé,
Pela inconstância do ritmo.
Cair é sempre resultado de alguma
Distração traiçoeira imposta pelo caminho
E a queda autentica minha incompetência
Mundana em ser mais que humano.

domingo, 27 de maio de 2018

POESIA - DANÇA NO ESCURO - THIAGO LUCARINI

Dançamos onde os olhos não veem.
Corações cruzados tecem nova trama
Os pés enroscados apreendem o ritmo invisível
De uma composição desconhecida e calma
Nascida do atrito sem guerra dos nossos corpos.
Olhos cobaltos, mar índigo e o céu de velho anil
Escurecem para velar o segredo maior de nós.
Somente as estrelas confessam nosso amor,
Pois dançamos onde os olhos não veem.