domingo, 23 de setembro de 2018

POESIA - TRÊS TEMPOS - THIAGO LUCARINI

já precisei mais muito mais 
hoje pouco, menos e menos
quero só o teu nada.

eu preciso mais de você.
mais distância maior ausência
mais "nunca ter existido."

precisarei achar mais de mim
amar a carne da qual sou feito,
e assim, jamais precisar mais.

sábado, 8 de setembro de 2018

POESIA - ÁRVORE - THIAGO LUCARINI

Sou árvore.
Raízes fixam meus pés
No solo que habito.
Não sou de transitoriedade,
Mas de fidelidade ao chão bendito.
Sou aquele sem ida, partida,
Pois meu querer maior é permanecer.
Meus passos não nascidos terminarão
Exatamente onde começaram: marco zero. 

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

POESIA - HISTÓRIA DOS OLHOS - THIAGO LUCARINI

Que histórias contam meus olhos
Se não as de seus amores e enterros?
Quantas linhas possuem minhas retinas?
Quantas palavras invisíveis guardam de mim,
Mas que são vistas por quem ousa me ler?
Quantas estrelas viram nascer?
Quantos horizontes abortaram?
Quantas janelas fecharam?
Quando sua história findar
Guardarão os ossos a escrita,
Alguma página dessa vida?

POESIA - ECO - THIAGO LUCARINI

Já não encontro eco na sua imagem 
Não há profundidade para reflexão, 
Fonte ou sentimento para reverberar. 
Encaro o vazio sem propagação
Ou qualquer onda de reciprocidade.
Hoje meu coração está surdo
Não escuto mais em mim 
Qualquer som por você.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

POESIA - CREPUSCULAR - THIAGO LUCARINI

Rende-me o cansaço tardio
Sou fim de tarde monocórdio 
Promessa de tempestade, 
Morosidade e previsão.
Destoo de outros encerramentos,
Pois estou em constante ir
Sem derradeiro fim.
Não diário não noturno
Sou crepuscular, suspenso
Sem pertencer a um ou outro.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

POEMA - AMIZADE É LUZ - THIAGO LUCARINI

Estou fortalecendo laços
Suspendendo a minha descrença
Sobre a finitude dos dias.
Além da relativa crueza do tempo
Escolho crer na magia do sonhar
Quero eternidade para amizades
Um Sol de brilho próprio
Um sistema interdependente
Onde orbitam sonhos estelares
Onde cada errante convirja
Para um caminho universal 
De unidade celestial indivisível
Onde seremos o brilho mútuo
Para os dias escuros do outro. 
Onde a gravidade exerça 
Apenas a força: amar.

sábado, 18 de agosto de 2018

POEMA - NUVEM - THIAGO LUCARINI

Sinto-me leve
Feito as nuvens.
Matei minhas expectativas
Ao dar-lhes a queda da chuva.
Meu tempo em formação
Está limpo, mas transitando
Em alguns instantes de sombra.
Meu céu nem sempre está claro
Obra natural de sua mutabilidade.
Sou nuvem, por certo voltarei
A chover, não mais água de despejo,
Desespero, mas água esperada da estação
Cumprindo seu ciclo de humanidade.