quinta-feira, 15 de novembro de 2018

POESIA - DUNA - THIAGO LUCARINI

O esquecimento
Pertence ao tempo.
É areia a ser revolvida,
Mexida, mudada de posição
Até deixar de se duna altíssima 
Para ser poeira retilínea ao chão.
É perder a coroa de brilho dos olhos
Pelas mãos pacientes da eternidade
E desaparecer debaixo da sombra dos pés.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

POESIA - AMOR MORTO - THIAGO LUCARINI

e de repente 
a face amada
é faca cravada
no meio do coração.
amarga visão
de um outro
deposto, amor morto,
em decomposição.

POESIA - SUSSURROS DAS ESTRELAS - THIAGO LUCARINI

ouço meu nome vindo das estrelas
como sussurros feitos de velhos brilhos,
glórias a muito passadas pelo vale da escuridão.
vaga minha inocência na noite
barca à deriva em águas turbulentas
sou um tolo inexperiente na pressão 
alegórica do manto que se expande.
sussurram sem boca as estrelas alimentando 
minha loucura de brilho e mistério só coração
sem jurarem sobre qualquer amanhece.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

POESIA - INVERSA PARUSIA - THIAGO LUCARINI

preparem-se é chegada a inversa parusia.
anjos serão imolados em altares de ignorância 
para o inferno ser expurgado do chumbo em si.
incapaz será o sangue derramado dos inocentes 
de apagar as chamas dos pilares e entranhas.
esperam estabelecer novo céu,
trata-se agora do eivar vil da alma
todo o ouro levado deixou de há muito importar.
não cabe ao carrasco ofertar, de fato, paz,
mas tão somente ser arauto de morte,
sem amor acima de tudo, jamais.

POEMA - ESPAÇOS SÓLIDOS - THIAGO LUCARINI

As horas abandonados pelo relógio 
Seguem voo próprio. Os ponteiros
São grades de uma velha e inútil prisão.
O tempo não pode ser confinado
A sólidos espaços, pois é mais útil 
A líquidos humanos que se esvaem 
Rapidamente, onde sua eternidade 
Não dura mais que um curto sopro mitológico.   

sábado, 20 de outubro de 2018

POESIA - SEMENTES E PEDRAS - THIAGO LUCARINI

quando as sementes que deixei 
pelo caminho cair, florescerem
anunciando que estive aqui
para ser disperso jardim,
o que dirão tuas ressentidas pedras
além de dores e tropeços?

POESIA - MÃO INVISÍVEL - THIAGO LUCARINI

a mão invisível que empurra a porta
fazendo ranger suas engrenagens de fechadura
é a mesma que empurra minha alma
para detrás da sombra do meu coração.
a mão insubstancial tem dedos de chuva
e cheiro familiar de desidiosa solidão.
rangem meus ossos, fechos os olhos,
a porta com estrondo igualmente se encerra.
é tempestade lá fora, e eu nuvem aqui dentro.